Cidade nascida de uma ferrovia
Porto Velho é uma das capitais mais novas do Brasil e nasceu literalmente para servir a uma ferrovia. Em 1907, americanos da Madeira-Mamoré Railway começaram a construção de uma estrada de ferro de 366 km para escoar borracha boliviana até o Rio Madeira, contornando as cachoeiras intransponíveis. O canteiro de obras virou cidade — oficializada em 2 de outubro de 1914. A ferrovia, conhecida como 'ferrovia do diabo' pelas mortes por malária e febre amarela, funcionou pouco: foi desativada em 1972 quando a borracha já era irrelevante.
Da fronteira agrícola à energia
Nos anos 1970 e 80, com a abertura da BR-364 e o programa Polonoroeste do governo militar, Porto Velho recebeu fluxos massivos de migrantes do Sul e Sudeste em busca de terra. Virou capital estadual em 1981. Hoje a economia da cidade tem três pilares: serviços públicos, agronegócio (soja e pecuária) e energia hidrelétrica — as usinas de Santo Antônio (2012) e Jirau (2013) no Rio Madeira juntas geram cerca de 6.500 MW.
O complexo ferroviário
O conjunto remanescente da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré — estação, oficinas e locomotivas — é o principal patrimônio histórico de Porto Velho e está tombado. A obra, concluída em 1912, cumpria compromisso do Tratado de Petrópolis, que incorporou o Acre ao Brasil, e teve alto custo humano entre os trabalhadores trazidos de várias partes do mundo.
O rio e as usinas
O rio Madeira estrutura a vida da cidade, do transporte de cargas à pesca. As usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, construídas a partir de 2008 nas proximidades, alteraram a dinâmica econômica e demográfica de Porto Velho, com efeitos ainda debatidos sobre população ribeirinha e meio ambiente.