Uma festa que atravessou o Atlântico
Mazagão era uma praça-forte portuguesa no litoral do Marrocos. Pressionada militarmente, Portugal decidiu abandoná-la em 1769 e transferir sua população para a Amazônia. Cerca de 340 famílias desembarcaram em Belém e, em 1770, foram levadas ao interior do Amapá para fundar a Nova Mazagão. Com elas veio a devoção a São Tiago e o teatro popular que encenava as batalhas vividas no norte da África.
A batalha de mouros e cristãos
O ponto alto da festa é a encenação do confronto entre mouros e cristãos, disputada por moradores de Mazagão Velho ao longo de vários dias. A representação envolve cavalhadas, roubo de estandartes, espionagem e a morte simbólica de personagens, com papéis transmitidos de pai para filho dentro das famílias da comunidade.
Personagens e rituais
- Cavaleiros mouros e cristãos, que protagonizam a batalha a cavalo.
- O Caixa de Guerra, tocador do tambor que marca o ritmo das investidas.
- Os Bobos Velhos e Bobos Novos, figuras cômicas que circulam entre os grupos.
- A dança do vominê e a missa campal seguida de procissão, no dia 25 de julho.
Por que deixou de ser feriado
Em 2012 uma lei estadual (Lei nº 1.696/2012) tornou 25 de julho feriado em todo o Amapá. O próprio governo do estado questionou a norma no Supremo Tribunal Federal, e em 2018, no julgamento da ADI 4820, o STF declarou a lei inconstitucional por entender que o estado havia extrapolado sua competência para criar feriados. Desde então a data não é mais feriado estadual — na prática, o governo costuma decretar ponto facultativo, o que suspende o expediente nas repartições estaduais sem obrigar o comércio a fechar.
Reconhecimento cultural
A perda do status de feriado não afetou a festa em si, que continua sendo realizada anualmente em Mazagão Velho, a cerca de 30 km de Macapá, e é apontada como uma das principais manifestações da cultura popular amapaense.