Da promessa imperial ao Plano Piloto
A ideia de transferir a capital do Brasil para o interior do país já estava na Constituição Imperial de 1823, foi reiterada nas Constituições de 1891 e 1934, mas só ganhou força com Juscelino Kubitschek (JK) e seu lema 'cinquenta anos em cinco'. Em 1956, Lúcio Costa venceu o concurso público para o Plano Piloto com o desenho do 'avião' — duas asas residenciais cruzadas pelo eixo monumental. Oscar Niemeyer projetou os principais edifícios públicos. A cidade foi inaugurada em 21 de abril de 1960 — data escolhida em homenagem a Tiradentes.
Capital federal, complexa e contraditória
Brasília é uma das poucas cidades do mundo construídas do zero para ser capital — junto a Canberra (Austrália) e Astana (Cazaquistão). O Distrito Federal hoje tem cerca de 2,8 milhões de habitantes, mas o Plano Piloto original abriga apenas 200 mil — a maioria mora nas Regiões Administrativas (Ceilândia, Taguatinga, Samambaia), conhecidas como 'cidades-satélite'. A desigualdade entre o Plano Piloto bem servido e as periferias é um dos temas urbanísticos mais estudados do Brasil.
Uma unidade que não é estado nem município
O Distrito Federal acumula competências estaduais e municipais, é vedada sua divisão em municípios e tem Câmara Legislativa em vez de assembleia. As regiões administrativas — Ceilândia, Taguatinga, Planaltina e outras — não são municípios autônomos, embora várias tenham população maior que muitas capitais.
O feriado que não vale para todos
Brasília foi inaugurada em 21 de abril de 1960, data que coincide com o feriado nacional de Tiradentes — de modo que a cidade não precisa de feriado próprio para comemorar. O DF tem um feriado local, 30 de novembro, Dia do Evangélico, criado por lei distrital. Como é norma local, não alcança os órgãos públicos federais sediados na capital, entendimento já confirmado pelo Tribunal Superior do Trabalho.