Uma irmandade de mulheres negras
A Irmandade da Boa Morte é composta por mulheres negras, tradicionalmente com mais de 40 anos, e sua origem no século XIX está associada à arrecadação de recursos para a compra de alforrias. É uma das mais antigas associações de mulheres negras em atividade no Brasil, e a condução da festa cabe inteiramente a elas.
Os dias da festa
- 13 de agosto — dia dedicado às irmãs falecidas, com traslado da imagem de Nossa Senhora da Boa Morte.
- 14 de agosto — missa da dormição de Nossa Senhora.
- 15 de agosto — alvorada e missa solene de Nossa Senhora da Glória.
- Os dias seguintes reúnem cortejos, samba de roda e refeições coletivas.
Católica e de matriz africana
A festa combina liturgia católica com elementos de matriz africana, sem que uma dimensão anule a outra. As irmãs cumprem obrigações nas duas tradições, e a indumentária — saias rodadas, camisas de renda, torços e joias de prata — carrega códigos das duas.
Cachoeira e o Recôncavo
Cachoeira fica no Recôncavo Baiano, região do ciclo do açúcar e área central da história da escravidão no Brasil. É também berço do samba de roda, reconhecido pela UNESCO como patrimônio cultural imaterial da humanidade em 2005, presente na festa.
Patrimônio
A festa é registrada como patrimônio imaterial da Bahia desde 2010 e atrai visitantes brasileiros e estrangeiros, com presença expressiva de pesquisadores e de integrantes da diáspora africana das Américas.
Não é feriado
A Festa da Boa Morte é data de tradição, sem status de feriado estadual. O 15 de agosto, dia de Nossa Senhora da Glória, é feriado municipal em algumas cidades brasileiras que têm a devoção como padroeira.