Quando acontece
A Lavagem do Bonfim é realizada na segunda quinta-feira após o Dia de Reis, comemorado em 6 de janeiro — e não na segunda quinta-feira de janeiro, como às vezes se lê. A diferença é real: em 2026 a festa cai em 15 de janeiro, enquanto a segunda quinta do mês seria 8 de janeiro.
O cortejo
A procissão sai da Igreja da Conceição da Praia, na Cidade Baixa, e percorre cerca de oito quilômetros até a Colina Sagrada, no bairro do Bonfim. Baianas de branco conduzem quartinhas com água de cheiro, acompanhadas por trios, blocos e uma multidão que costuma ser estimada em centenas de milhares de pessoas.
Oxalá e o Senhor do Bonfim
No sincretismo baiano, o Senhor do Bonfim é associado a Oxalá, orixá ligado à criação e à paz, cuja cor litúrgica é o branco — o que explica a indumentária dos participantes. A festa é um dos exemplos mais visíveis da convivência entre catolicismo popular e candomblé na Bahia, e reúne fiéis das duas tradições.
A lavagem fora da igreja
A cerimônia era feita dentro do templo até o século XIX, quando a autoridade eclesiástica proibiu a prática por sua associação com o culto africano. O rito passou a ocorrer nas escadarias e no adro — e é assim que permanece, com a lavagem acontecendo do lado de fora da igreja.
Não é feriado
A Lavagem do Bonfim não consta do calendário oficial de feriados municipais de Salvador. Na prática, o comércio da região funciona em horário alterado e há esquema especial de transporte e trânsito.
As fitas do Bonfim
As fitinhas coloridas amarradas ao pulso com três nós, cada um correspondendo a um pedido, são o souvenir mais conhecido de Salvador. A tradição data do século XIX, quando as fitas eram medidas pelo comprimento do braço da imagem do Senhor do Bonfim.