O maior ciclo festivo do Nordeste
O 24 de junho é o auge do ciclo junino em Pernambuco. A data celebra São João Batista, que o calendário católico marca nesse dia, mas a festa popular há muito extrapolou o sentido religioso: virou o principal evento cultural e econômico do interior pernambucano.
É feriado em Pernambuco?
Depende da cidade. Não existe lei estadual que torne o 24 de junho feriado em todo o Pernambuco. No âmbito do estado a data é tratada como ponto facultativo, por decreto publicado a cada ano — e em alguns anos o governo aproveita para transferir o feriado de Corpus Christi para o dia 24, de modo a concentrar a folga na semana junina.
A folga obrigatória vem das leis municipais: Caruaru, Petrolina, Gravatá e dezenas de outras cidades declararam o São João feriado dentro de seus limites. É por isso que a resposta muda de um município para o vizinho.
Por que o estado não declara
A Lei federal nº 9.093/1995 dá ao estado uma única data como feriado civil — a data magna, fixada em lei estadual — e reserva os feriados religiosos à lei municipal, no máximo quatro por município, incluída a Sexta-Feira Santa. Em Pernambuco a data magna é 6 de março, que marca o início da Revolução Pernambucana de 1817.
Há uma pegadinha comum aqui: o Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região lista o 24 de junho entre os dias sem expediente e o rotula de feriado estadual, mas a norma que ele invoca é o próprio regimento interno do tribunal — que rege o expediente daquele tribunal, não o calendário do estado. Para a Data Magna de Pernambuco, o mesmo tribunal cita a lei estadual. A diferença entre as duas citações é o que separa os dois casos.
Caruaru e Petrolina
Caruaru, no Agreste, organiza uma das maiores festas juninas do país, com programação que se estende por todo o mês e ocupa o Pátio de Eventos Luiz Gonzaga. Petrolina, no Sertão do São Francisco, e Gravatá também concentram grandes celebrações. O período movimenta hotelaria, transporte e comércio numa escala comparável à do Carnaval.
Forró e quadrilha
O forró pé de serra — sanfona, zabumba e triângulo — é a trilha tradicional do período, associada ao repertório de Luiz Gonzaga, nascido em Exu, no sertão pernambucano. As quadrilhas juninas disputam campeonatos estaduais, com figurinos e coreografias elaborados ao longo do ano.
As origens da festa
A festa combina a celebração católica do nascimento de João Batista com tradições agrárias europeias ligadas ao solstício e ao fim da colheita. Transplantada para o Nordeste, encaixou-se no calendário do milho, colhido em junho — o que explica a presença de canjica, pamonha e bolo de milho na mesa.
O blog compara como as festas juninas variam entre os estados brasileiros.