A batalha de 1823
Em 13 de março de 1823, às margens do rio Jenipapo, no atual município de Campo Maior, forças piauienses enfrentaram tropas portuguesas comandadas pelo major João José da Cunha Fidié. O contingente local era numeroso mas mal armado — a maior parte com foices, facões e armas de caça — contra soldados profissionais equipados com armamento regular.
Derrota militar, efeito estratégico
Os piauienses foram derrotados no confronto direto, com número expressivo de mortos. O episódio, porém, desgastou as tropas portuguesas e desorganizou sua logística: sem conseguir se sustentar no Piauí, Fidié recuou para o Maranhão, onde acabou se rendendo meses depois. A adesão do Piauí à independência se consolidou em 19 de outubro de 1823.
Quem lutou
Os relatos apontam a participação de trabalhadores rurais, vaqueiros e pessoas escravizadas, além de moradores das vilas próximas. É por essa composição que a batalha é lembrada no Piauí como episódio de participação popular, e não como feito de tropas regulares.
É feriado no Piauí?
Não, e a razão é jurídica, não histórica. A Lei federal nº 9.093/1995 permite ao estado instituir uma única data como feriado civil estadual, e o Piauí já usou essa vaga com o 19 de outubro, Dia do Piauí. Sem alteração na lei federal, não há como acrescentar o 13 de março ao calendário estadual de feriados — por mais que a data figure na bandeira do estado.
A data permanece como marco histórico e comemorativo: em Campo Maior, o Memorial da Batalha do Jenipapo reúne acervo sobre o episódio, e o dia é marcado por atos cívicos, encenações e a entrega da Medalha do Mérito Heróis do Jenipapo.
A outra data piauiense
O calendário do estado tem o Dia do Piauí, em 19 de outubro, que marca a adesão à independência — desfecho do processo iniciado no Jenipapo, e o único feriado estadual piauiense.