Feriado estadual desde 2008
O Rio de Janeiro tornou 23 de abril feriado estadual pela Lei nº 5.198/2008. Fora do estado, a data é apenas comemorativa. A norma fluminense foi questionada no Supremo Tribunal Federal e, em agosto de 2023, no julgamento da ADI 4092, o tribunal a considerou constitucional — entendendo que os estados têm competência para proteger o patrimônio histórico-cultural e que a lei federal de feriados não esgota a matéria.
Quem foi São Jorge
Os registros históricos são escassos: a versão mais aceita é a de um soldado romano executado no início do século IV por não abandonar o cristianismo. A cena do cavaleiro que mata o dragão é medieval, muito posterior, e se difundiu na Europa a partir das Cruzadas.
São Jorge e Ogum
Nas religiões de matriz africana praticadas no Brasil, São Jorge é associado a Ogum, orixá ligado ao ferro, à guerra e aos caminhos. A aproximação é um caso de sincretismo formado durante o período da escravidão, quando imagens católicas passaram a servir de referência para divindades africanas. Por isso as festas de 23 de abril no Rio reúnem católicos e praticantes de candomblé e umbanda, cada grupo com sua leitura da data.
A festa no Rio
A Igreja de São Jorge, no centro do Rio, concentra as celebrações, com missas de hora em hora e filas que se estendem por quarteirões. Há distribuição de alimentos e água, e a devoção é especialmente presente entre policiais, militares e trabalhadores de rua.
Outra devoção fluminense
O estado tem ainda São Sebastião, padroeiro da cidade do Rio de Janeiro, celebrado em 20 de janeiro — este é feriado apenas no município da capital, e não em todo o território fluminense.