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Histórica

Dia do Trabalhador: a história do 1º de Maio

Atualizado em ·⏱ 7 min de leitura

Uma greve em Chicago em 1886, uma bomba em Haymarket e quatro trabalhadores enforcados. Esse é o ponto de partida do feriado mais celebrado do mundo.

O 1º de Maio une países com regimes políticos completamente diferentes — é feriado nos EUA (como Labor Day, mas em setembro), na China, na Rússia e no Brasil. A data tem origem numa tragédia trabalhista em Chicago em 1886, foi transformada em símbolo pelo movimento operário internacional e chegou ao Brasil décadas depois.

Chicago, 1886: a greve pelas oito horas

Em 1886, a jornada de trabalho nas indústrias norte-americanas era de 10 a 16 horas diárias, seis ou sete dias por semana. O movimento operário organizado reivindicava a jornada de oito horas — oito para o trabalho, oito para o descanso, oito para a vida pessoal. Em 1º de maio de 1886, cerca de 340 mil trabalhadores foram à greve em todo o país. Em Chicago, a paralisação era especialmente intensa.

Haymarket: a bomba e as execuções

Em 3 de maio de 1886, policiais atiraram contra trabalhadores numa manifestação perto da fábrica McCormick, matando pelo menos quatro pessoas. No dia seguinte, uma reunião de protesto na Praça Haymarket foi dissolvida pela polícia. Alguém jogou uma bomba — nunca identificada — resultando em sete policiais e pelo menos quatro trabalhadores mortos. Oito líderes anarquistas foram presos e julgados sem provas diretas de participação. Quatro foram enforcados em novembro de 1887.

De tragédia a símbolo internacional

Em 1889, o Congresso Internacional Socialista de Paris decidiu transformar 1º de maio em data de mobilização operária mundial — em memória de Haymarket. A data foi adotada pelo movimento trabalhista em dezenas de países ao longo do século XX. Em paralelo, os Estados Unidos criaram seu Labor Day em setembro, deliberadamente afastado do 1º de maio e de seus vínculos com o socialismo e o anarquismo.

A chegada ao Brasil

O Brasil industrializava-se rapidamente no início do século XX, com fábricas têxteis e ferroviárias concentradas em São Paulo e no Rio de Janeiro. Em 1890, já havia registros de comemorações do 1º de maio no país. Em 1938, Getúlio Vargas promoveu uma grande celebração oficial do Dia do Trabalho no Estádio São Januário — transformando um símbolo de greve em data de comemoração controlada pelo Estado. A Lei nº 662/1949 consolidou 1º de maio como feriado nacional.

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Por que os Estados Unidos não comemoram em 1º de maio

A ironia é conhecida entre historiadores: o episódio que originou a data mundial aconteceu em Chicago, mas os Estados Unidos celebram o Labor Day na primeira segunda-feira de setembro. A data de setembro já existia antes de Haymarket, criada por sindicatos de Nova York em 1882, e foi oficializada em âmbito federal em 1894 — num contexto em que o governo americano preferiu não vincular a celebração ao 1º de maio e ao movimento que o adotara.

A jornada de oito horas no Brasil

A reivindicação de Chicago demorou a virar lei por aqui. A jornada de oito horas foi estabelecida no Brasil pelo Decreto nº 21.364, de 1932, e consolidada pela CLT em 1943. A Constituição de 1988 fixou a jornada em oito horas diárias e 44 semanais, com possibilidade de compensação por acordo. A redução para 40 horas semanais é pauta recorrente no Congresso, sem aprovação até aqui.

Getúlio Vargas e o 1º de maio brasileiro

A data foi reconhecida como feriado nacional no Brasil pelo Decreto nº 4.859, de 1925, no governo Artur Bernardes. Mas foi no período Vargas que ela ganhou o formato que marcaria o século XX: grandes concentrações em estádios, com o presidente anunciando medidas trabalhistas na data. O salário mínimo foi anunciado em 1º de maio de 1940, e a CLT foi assinada em 1º de maio de 1943 — associação deliberada entre a data e a legislação trabalhista.

A data hoje

  • É feriado nacional pela Lei nº 662/1949, que consolidou os feriados civis brasileiros
  • Centrais sindicais realizam atos em capitais, com formatos que variam de comício a evento com shows
  • É tradicionalmente a data em que se anuncia o reajuste do salário mínimo em alguns períodos
  • Comemorada em 1º de maio na maior parte do mundo, com exceções como Estados Unidos e Canadá

Um feriado que quase sempre rende emenda

Por ser data fixa, o 1º de maio cai em dia diferente da semana a cada ano. Quando calha numa terça ou quinta, costuma gerar emenda; na segunda ou sexta, feriadão automático de três dias. É um dos feriados nacionais mais observados pelo comércio e pela indústria, com paralisação quase total.