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Revolução Constitucionalista de 1932: por que São Paulo para em 9 de julho

Atualizado em ·6 min de leitura

Todo ano, em 9 de julho, São Paulo é o único estado com feriado nessa data. Comemora uma guerra que durou 87 dias, terminou com a derrota militar de SP e ainda assim é celebrada intensamente.

Todo ano, em 9 de julho, São Paulo é o único estado do Brasil com feriado nessa data. O Novedejulho — como os paulistas chamam — comemora o início de uma guerra civil que durou 87 dias em 1932, terminou com a derrota de São Paulo e ainda assim é celebrada com mais intensidade do que muitas vitórias históricas de outros estados.

O contexto: São Paulo após o golpe de 1930

Em outubro de 1930, Getúlio Vargas chegou ao poder através de um movimento armado que depôs o presidente eleito Júlio Prestes — que era paulista. O arranjo da Primeira República, conhecido como política do café com leite, foi rompido. Vargas nomeou interventores militares sem raízes políticas em São Paulo, excluindo as elites estaduais do poder central. O Brasil vivia sem constituição desde o golpe, sob governo provisório.

O estopim: 23 de maio de 1932

Em 23 de maio de 1932, uma manifestação pró-constituição foi dispersada pela polícia em São Paulo, resultando na morte de quatro estudantes: Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo — cujas iniciais formaram a sigla MMDC do movimento. O episódio catalisou a mobilização de elites, estudantes e setores médios da sociedade paulistana em torno da exigência de reconstitucionalização do país.

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A guerra de 87 dias

Na madrugada de 9 para 10 de julho de 1932, os conspiradores anteciparam o levante ao saber que o plano havia sido descoberto. As forças paulistas eram de cerca de 30 a 40 mil homens, entre militares e civis. O governo federal mobilizou tropas de Minas Gerais, do Nordeste e do Sul para cercar o estado. A campanha de arrecadação popular — joias e ouro para equipar os soldados — foi intensa e documentada.

A derrota e a vitória política

Em 2 de outubro de 1932, após 87 dias, São Paulo capitulou. Estimativas indicam entre 600 e 1000 mortos do lado paulista. Vargas foi generoso nos termos: anistia ampla, manutenção dos postos militares e, crucialmente, convocação de uma Assembleia Constituinte. A Constituição de 1934 foi promulgada dois anos depois — atendendo exatamente à demanda central da revolução. São Paulo não venceu militarmente, mas sua derrota gerou o resultado político que buscava.

O feriado estadual

A Lei Estadual nº 2.234/1954 estabeleceu 9 de julho como feriado em São Paulo. A data é ressignificada como marco do retorno ao Estado de Direito e da resistência ao centralismo — uma derrota militar que virou referência identitária ao longo do século XX.